OS VINHOS BIANCHETTI E OS ENÓLOGOS PIONEIROS DO VALE DO SÃO FRANCISCO

Ineldo Tedesco, enólogo, formado em 1973, descendente de imigrantes italianos com tradição no cultivo de uvas viníferas e produção artesanal de vinhos na região do Rio Grande do Sul, trabalhou em vinícolas como: Cooperativa Tamandaré, Heublein do Brasil e Maison Forestier. Sendo nesta última, em 1984 que testou uvas do Vale do São Francisco elaborando vinhos que comprovaram as excelentes qualidades da região, demonstrando a tendência de um futuro pólo vitivinícola.

 

A partir daí, formou-se uma parceria entre Maison Forestier e a Fazenda Milano-Santa Maria da Boa Vista-PE, sendo Tedesco transferido para prestar assistência técnica na elaboração dos vinhos.

Na sequência, seguiram-se as variedades: Sauvignon Blanc – vinho fino Branco seco – e Moscato – vinho leve branco suave. Posteriormente, um tinto leve Suave e, como último lançamento em 2003, o vinho tinto fino seco Petite Syrah.

 

O Bianchetti destaca-se por ser um vinho jovem e marcante, de personalidade rara apresentando uma excelente concentração de aromas e um equilíbrio entre o açúcar e a acidez de uvas cuidadosamente colhidas na época certa.

 

E, em 1985, produziu e lançou no mercado do Nordeste o primeiro vinho do Vale do São Francisco, chamado Vinhas da Milano, atualmente Botticelli.

 

Em 1991, adquiriu juntamente com sua esposa, Izanete Bianchetti Tedesco, também enóloga, uma propriedade em Lagoa Grande-PE, onde em 1993, iniciaram o plantio de uvas de mesa. No ano de 1995, plantaram uvas viníferas e, no ano de 1998 foi elaborado e lançado no mercado o primeiro vinho com a marca BIANCHETTI, um tinto fino seco Cabernet Sauvignon, sendo a concretização do sonho do casal de enólogos.

Por serem elaborados em tanques de aço inox, através de moderna tecnologia, os vinhos Bianchetti conservam todas as características das uvas cultivadas no Vale. O processo de fermentação controlada por refrigeração também garante o sabor dos vinhos Bianchetti, em meio ao clima quente da região.

 

Seus rótulos são apresentados em duas versões: os finos secos, trazem o Vale do São Francisco estilizado e, os leves suaves- o Frevo, que é um dos importantes ícones da cultura pernambucana.

No início de 2004, a Adega transformou todo seu cultivo de uvas convencional para orgânico, pensando tanto no bem estar de seus trabalhadores, na preservação do meio ambiente e em produtos saudáveis, para atender consumidores preocupados com melhor qualidade de vida. Sendo também um grande desafio para se provar que é possível produzir-se de forma natural, sem utilização de agrotóxicos e produtos químicos, até mesmo em situações bastante adversas.

Com muito sacrifício e muita dedicação, a empresa foi certificada pelo IBD-Instituto Biodinâmico e, lança em 2008, os primeiros vinhos e espumantes orgânicos do Nordeste.

Mas, neste meio tempo, também resolveu diversificar sua linha de produtos, sem deixar de produzir vinhos com uvas convencionais adquiridas de terceiros. Parte então, para uma linha de assemblage, marca Portal do Sol, onde os vinhos são obtidos através de misturas de uvas finas. Estes vinhos não tendem a ser nem mais simples e nem mais sofisticados, mas sim, em cortes, podemos melhorar certas qualidades mesclando-se um varietal com características mais encorpadas com outro mais macio até encontrarmos o padrão ideal para um novo vinho com características diferentes e equilibradas.

 

Pernambuco consolida-se, definitivamente, como um dos maiores produtores vitivinícolas do país. Responsável por 95% da uva de mesa cultivada no Brasil e pela produção de 5 milhões de litros de vinho por ano, o estado vem se destacando como modelo de desenvolvimento para o Nordeste. A vinicultura pernambucana já detém 15% do mercado nacional e emprega diretamente 30 mil pessoas no Vale do São Francisco, única região do mundo que produz duas safras e meia por ano.